A violência institucional foi o tema da audiência pública que reuniu mulheres de diversos segmentos sociais na terça-feira (26), na Assembleia Legislativa, de autoria da deputada Larissa Rosado (PSB). Foram apresentados dados sobre agressões e mortes e cobradas soluções para os casos crescentes de desrespeito contra a mulher.
O debate foi sugerido pela representante da Federação dos Conselhos Comunitários e Entidades Beneficentes do RN (Feceb), Edineuza Jones que, na ocasião, citou casos de violência contra as mulheres dentro das próprias delegacias. “Faz vergonha uma mulher precisar de um atendimento em uma delegacia. Sempre acompanho mulheres em situação de risco, já ouvi muitos absurdos ditos pelos agentes. Minha filha foi uma dessas mulheres, que foi atendida com deboche”, declarou.
Para a coordenadora da Confederação Nacional de Associações de Moradores, Amélia Freire, a violência institucional compreende desde agressões físicas e verbais como a falta de serviços ou a má qualidade deles. “Uma forma comum são as práticas discriminatórias. Muitas mulheres não têm sua autonomia respeitada, são discriminadas em função de raça e etnia. Outra forma é a violência sofrida em situação de prisão, que são privadas de seus direitos humanos”, afirmou.
“Se ninguém for atrás disso, vão achar que a secretaria não era necessária. Nós deputadas e as vereadoras devemos nos unir para impedir a desativação da secretaria. Não adianta só usar o microfone para falar, temos que agir”, disse a deputada Márcia Maia (PSB).
DELEGACIA DA MULHER
O adjunto da Delegacia da Mulher, Francisco Quirino reconheceu que muitas mulheres não são bem atendidas nas delegacias e atribuiu isso a falta de estrutura da polícia civil. “Nós vemos todos os dias uma lei ser rasgada. Todas as delegacias do estado, principalmente da mulher, não são e nem serão perfeitas. Pois o que falta é estrutura. Uma delegacia da mulher não tem um psicólogo, não tem serviço social para tratamento de vítimas e indiciados”, afirmou.
Já a delegada titular da Deam, Karen Cristina Lopes, disse que falta de estrutura não é desculpa para não trabalhar. “Realmente é difícil. Lido com esses problemas desde o momento em que entrei no RN. Estou há oito meses na Deam e para provar que dá para fazer um bom trabalho, tenho números, tenho como dizer. No ano passado, quando a delegacia tinha três delegados, eram instaurados por mês 30 inquéritos, remetiam 20 e faziam cerca de 20 medidas de proteção de urgência. Depois que eu cheguei os números são diferentes. São 70 inquéritos por mês, remete mais de 100”, informou.
A delegada disse que é preciso senso de responsabilidade. “Só eu sei quantas horas por dia eu trabalho. Se acontecer alguma coisa, vão cobrar de quem? De mim. E quando eu não consigo fazer algo, eu explico as razões. Estou há oito meses sozinha. Se estamos falando de iolência institucional, por que estou sozinha há tanto tempo? Isso me causa estranheza. Eu luto todos os dias para acabar com a violência”, declarou.