03/03/2026
A destinação de aproximadamente R$ 6 bilhões para o financiamento de campanhas políticas em 2026 foi alvo de veementes críticas do deputado Nelter Queiroz (PSDB) na sessão plenária desta terça-feira (3) da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN). O parlamentar classificou os valores dos fundos eleitoral e partidário como "superexcessivos" e "imorais", especialmente diante das carências sociais enfrentadas pela população potiguar.
Em seu pronunciamento, o legislador questionou o montante aprovado no orçamento geral da União para o próximo pleito. "Foi aprovado R$ 1 bilhão de reais para o fundo partidário e quase R$ 5 bilhões para o fundo eleitoral. Ou seja, em torno de R$ 6 bilhões destinados a financiamento de campanhas políticas", detalhou Nelter Queiroz, ressaltando a discrepância desses valores com a realidade social do país.
O representante do povo destacou que a população sofre diariamente com a falta de acesso à saúde pública de qualidade, com filas para cirurgias e exames, além da ausência de apoio ao homem do campo, da mulher e de seus filhos. "As estradas, todas esburacadas. A falta de apoio ao homem do campo, as cirurgias e lutando com as classes políticas para conseguir um procedimento. Isso é imoralidade", afirmou.
Nelter Queiroz fez questão de diferenciar a situação dos deputados estaduais, que, segundo ele, não recebem o fundo eleitoral nem o fundo partidário, ao contrário dos deputados federais e senadores. Ele criticou o que chamou de "manobras" envolvendo o repasse de recursos para "candidatos laranjas" e a falta de programas sociais robustos, como os de saúde mental, em contraste com o vultoso investimento em campanhas.
O parlamentar apelou à bancada federal e ao Governo Federal para que revejam a situação, propondo a criação de um teto mínimo ou a extinção desses fundos. "O povo tem que saber que esse dinheiro que vem todo mês para os partidos políticos é do povo. Os deputados federais e os senadores colocaram no orçamento federal para destinar esse dinheiro para bancar a campanha dos deputados federais e dos senadores. Isso é corrupção", concluiu o legislador, enfatizando que o sistema foi criado a partir de 2018.
Álbum de fotos